Olá pessoal, estão todos bem?
Espero que as discussões feitas até agora tenham ajudado a compreender um pouco mais sobre o período militar e as principais questões que configuraram aquele momento! Trabalharemos hoje outro aspecto da crise iniciada em meados da década de 1970. Na última aula vimos a crise econômica, hoje veremos a crise política e social.
A crise econômica que afetou o Brasil acabou influenciando a maneira da sociedade se portar perante os governos militares. Além disso, a insatisfação com anos de repressão e violências foi criando diferentes formas da sociedade “resistir” à Ditadura.
Em termos de organização política existiam apenas dois partidos: ARENA, governista, e MDB, oposição. A princípio, o MDB não era bem visto pela sociedade que o considerava um partido fantoche, ou seja, só faria aquilo que era da vontade dos militares e não representava uma oposição de fato. Os partidos mais voltados para a esquerda, e devemos lembrar que não eram ideologicamente, nem estrategicamente iguais. Isso que dizer que esses partidos de esquerda (agora todos na clandestinidade) não pensam da mesma forma e também não “resistiam” da mesma maneira.
Alguns grupos optaram por lutar contra os militares usando armas. Outros acreditavam que a revolução socialista aconteceria sem a necessidade do uso da violência. No meio desses próprios grupos a forma de pensar e a defesa da melhor maneira de agir era bastante diversificada, o que levou, muitas vezes, a cisões e criação de novos grupos ou partido de esquerda.
Por outro lado, a resistência também foi ganhando outras formas: manifestações artísticas (cinema, música, teatro), organização do movimento estudantil, organizações civis (de moradores de bairro, da igreja, etc), greves de trabalhadores. E, a partir da segunda metade da década de 1970, os votos concentrados no MDB. É isso mesmo, aquele partido que antes não era visto com bons olhos pela sociedade, passou a concentrar votos e caiu nas graças da população, que via no único “partido de oposição” a chance de mudar a política no país. Como o MDB começou a ganhar mais votos, os seus candidatos começaram a ter mais espaço na Câmara dos Deputados, nas Assembleias e no Senado e, assim, conseguiam barrar algumas resoluções do governo e apresentar seus próprios projetos.
Os militares, por outro lado, começavam a ver a necessidade de promover mudanças, pois a pressão popular mostrava que o povo não estava satisfeito com a política. Para tentar melhorar sua própria imagem, o governo iniciou um processo de abertura, mas esse processo tinha que ser lento, gradual e seguro. A ideia de promover a “distensão”, como eles a chamavam, teve início no governo do general Ernesto Geisel (1974-1979) e se aprofundou no governo do último militar que governou o Brasil naquela época, o general João Batista Figueiredo (1979-1985).
As mudanças que eram empreendidas eram no sentido de abrandar a repressão, diminuir a censura aos meios de comunicação, promover algumas mudanças na política e no sistema eleitoral. As principais foram a Anistia e o fim do bipartidarismo.
A anistia política foi concedida no início do governo Figueiredo, em 1979, e previa o perdão aos presos políticos, além de aceitar a volta ao Brasil de algumas pessoas que estavam no exílio. Mas, por outro lado, a anistia também garantia que não seriam abertos processos judiciais contra os “torturadores” do regime, ou seja, todo o projeto de anistia foi elaborado pensando em garantir que os militares não seriam condenados depois pelos “abusos” que cometeram durante o regime.
Com relação ao fim do bipartidarismo, já no fim de 1979 e início de 1980, os militares fizeram reformas partidárias que definiam o fim dos dois partidos existentes, Arena e MDB, e a criação de outros partidos. A intenção era enfraquecer o MDB (que vinha ganhando força e espaço na política) e concentrar os antigos membros da Arena em um único partido, o PDS.
Foram criados os seguintes partidos: PDS da situação; PP, PMDB, PDT, PTB e PT como partidos da oposição. As eleições seguintes (para governadores de Estado e que o povo poderia votar), seriam marcadas pela presença destes partidos e o objetivo da oposição de conseguir o maior número de vitórias nos Estados. O PMDB e o PDT (no Rio de Janeiro) conseguiram eleger 10 governadores e o PDS alcançou vitória nos outros Estados. Mas, a situação passou a ser bastante favorável para a oposição que se fortalecia e conseguia cada vez mais cair nas graças da opinião pública.
Foi com o apoio da população que os partidos da oposição se reuniram e promoveram o movimento que ficou conhecido como “Diretas Já”. Foram vários comícios espalhados por todo Brasil, muitas passeatas e shows e a maior demonstração de que a oposição estava conseguindo mobilizar a população em seu favor. As Diretas Já tinham o objetivo de conseguir que as próximas eleições para Presidente da República, marcadas para janeiro de 1985, fossem feitas com a participação do povo, ou seja, o povo podendo votar e escolher seu novo presidente.
Mesmo com toda mobilização e pressão popular o projeto que previa eleições diretas para presidente não foi aprovado no Congresso, e a escolha do novo presidente teria que ser feita no Colégio Eleitoral, de forma indireta. Mas, o povo já estava mobilizado e a concentração de pessoas que antes pediam eleições diretas, passou a pedir que o novo presidente fosse Tancredo Neves, o candidato da oposição.
Foi assim que o ano de 1984 terminou e começou janeiro de 1985: uma grande massa de pessoas nas ruas, nos comícios e nos shows apoiando o candidato Tancredo Neves. Ele passou a representar a mudança, a chance de o Brasil ser diferente, o fim da Ditadura!
Nas eleições de 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito presidente do Brasil. Venceu seu oponente, Paulo Maluf, com uma grande diferença de votos e criou no país um clima de festa pelo fim da Ditadura Militar. Ele assumiria o cargo em março e prometia fazer do Brasil uma nova Nação.
Mas, antes de tomar posse, Tancredo foi hospitalizado, passou por cirurgias e veio a falecer em abril. Este foi um momento de grande dor para a sociedade brasileira. Afinal, estava hospitalizada a esperança em um futuro melhor e depois de dias de agonia, os brasileiros ainda assistiram à notícia da morte de seu novo presidente: o primeiro civil que iria ocupar a presidência depois de 21 anos de regime militar.
José Sarney, vice-presidente de Tancredo, foi quem tomou posse e tornou-se o novo presidente do Brasil, pondo fim à Ditadura Militar. A população estava temerosa, pois o fantasma dos anos de regime assombrava a todos. Mas, depois de 1985, os militares foram de afastando pouco a pouco da política e de lá para cá os nossos presidentes foram todos civis. Mas essa é uma outra história, bem longa por sinal, e que ficará para um outro momento!
E então, o que acharam? Estão mais entendidos de Ditadura Militar? Vamos ver como vocês se saem nos comentários!
Observem a letra a seguir:
Roda Viva – 1967
Chico Buarque
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
No volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
- que ligações podemos fazer com o período de Ditadura Militar?
- digam qual o sentido dessa música para vocês. Lembrem-se que foi escrita e gravada durante a ditadura, portanto, façam essa ligação.
Um forte abraço, pessoal!
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